Não é comum que a régua do trabalho suplante a avaliação do resultado. Com uma mentalidade resultadista no futebol brasileiro, a percepção do resultado é um marco balizador para qualquer clube em qualquer divisão. Ele segue sendo balizador em clubes grande ou pequenos, ainda segue sendo utilizado como senso comum por qualquer cobertura midiática e estoura em torcedores e em quem dirige os clubes.
Sem resultados existe quase uma tara da necessidade de algo que represente um fator novo. Existe uma obsessão para que alguém seja culpado. É preciso quase como uma fixação exacerbada que o sangue de alguém venha como um sacrifício. Portanto as crises, os momentos de oscilações trazem a necessidade de um clamor barulhento pelo novo.
A antítese destes fatores não agrada a ninguém e os argumento se avolumam para que simplesmente algo seja feito para mudar aquela sequência.
O CRB tomou uma ação atípica, fugiu do padrão. Ao privilegiar uma avaliação mesmo quando o resultado não vem em detrimento do trabalho causa uma reação tão inacreditável que chega a surpreender a todos.
Convicção, inteligência emocional, projeção de metas em curto, médio e longo prazo compõem argumentos e características que ditarão um caminho mais seguro para dissipar a fase ruim, a crise e ausência do resultado. Apesar de tudo, a régua do trabalho tem um lastro pequeno, por que após uma vitória que quebra uma sequencia de onze jogos sem vitória será, um novo resultado negativo criará uma nova onda de pressões, de riscos e de questionamento e até em processos mais estabelecidos, mesmo com a vitória, com a quebra da sequencia negativa, os questionamentos ainda não estarão arrefecidos.
A vitória do CRB sobre o Sousa tem um poderio de mostrar que o trabalho também é um ponto de reflexão para ser avaliado, utilizado e balizador em momentos de crise e que apesar de atípico também tem o seu valor contra o senso comum do ambiente resultadista.
Só não se sabe até quando.