Um câncer que ninguém tenta combater

  • sábado, 05 janeiro 2019 00:00

Um dos maiores problemas enfrentados pelo futebol brasileiro é o calendário. Clubes e profissionais relacionados ao futebol sofrem, não conseguem o rendimento esperado e são expostos a situações absurdas, sem que haja uma reação. O câncer é destrutivo mas é alimentado por todos.

Esta semana com a apresentação de CSA e CRB ouvimos os técnicos Marcelo Cabo e Roberto Fernandes fazerem referências as dificuldades de início de temporada. Cabo alertou que usará o mês de janeiro, é bom explicar que com jogos oficiais pela Copa do Nordeste e pelo Campeonato Alagoano, como pré-temporada. Em sua fala – e com razão – o técnico do CSA deixou claro ser impraticável a formação de uma equipe com apenas 14 dias de trabalho antes da estreia na temporada. Também se referiu a necessidade de ‘rodar’ o elenco, usando dois times para não desgastar os jogadores e não correr risco de perder jogadores por contusão.

Roberto Fernandes também usou sua primeira entrevista para expor problemas decorrentes do calendário. Primeiro falou sobre o tempo de pré-temporada. O técnico regatiano tem como ideal a apresentação e o início do trabalho em 17 de dezembro, período que lhe ofertaria aproximadamente um mês, antes da estreia na Copa do Nordeste. Além disto terá que formar um novo time em praticamente 14 dias de trabalho.

Estas situações postas pelos dois treinadores são claras mas ninguém no mundo do futebol levanta a bandeira contra isso que está posto. Jogadores, preparadores físicos, fisiologistas, fisioterapeutas, técnicos, dirigentes, clubes ‘aceitam’ o que está posto e buscam ‘soluções’ para o ‘monstrengo’.

Era necessário um sério debate, uma avaliação técnica, criteriosa sobre tudo isso. Não posso dizer que não houve melhoras, já aconteceu sim. O Movimento ‘Bom Senso’ trouxe algo positivo para discussão, inclusive, exigindo férias por um período maior e com uma pré-temporada. Mas o formato encontrado – e posto em prática – ainda é desumano.

E não venham com a ideia que ‘antigamente’ se jogava mais e não tinham estes questionamentos. O futebol mudou muito. A intensidade que se joga hoje é absurda e com um calendário sufocante e sem uma preparação ideal temos jogos com baixa intensidade, jogadores que não conseguem atuar no seu melhor, clubes que poupam atletas em competições importantes, futebol que perde qualidade.

Enquanto a reação não partir do próprio futebol o assunto seguirá sem ser tratado da maneira que atenda o próprio futebol da melhor maneira. Todos buscam adaptação, queimam etapas mas não resolvem o problema.

...e o câncer segue cada dia mais destrutivo.

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