Teremos torcida única. Salve, salve! As instituições foram respeitadas

  • sábado, 08 abril 2017 00:00

Sou contra a presença de torcida única nos estádios de futebol. Principalmente quando se fala de clássicos. Experimentaremos uma das mais desastrosas experiências já implementadas no futebol. Lamento profundamente que tenhamos chegado a este caminho.

Mas é preciso separar o assunto de torcida única com o cumprimento do acordo feito na sede do Tribunal de Justiça. Não cumprir este acordo seria simplesmente um afronte, um desrespeito as instituições do Estado de Alagoas.

O fórum para discutir o assunto seria a mesa de reunião onde um variado leque de autoridades se fizeram presentes. Se estivessem unidos, com argumentos concretos – e, não apenas com falácias, CSA e CRB teriam posto argumentos contrários ao Ministério Público, ao Tribunal de Justiça e as instituições de segurança do Estado.

É preciso lembrar aqui, sob o risco de cometermos injustiças, algumas situações pontuais. A primeira delas é que a Federação Alagoana de Futebol provocou a reunião por pura incapacidade – entendo, que devido a gravidade do assunto – de tomar um posicionamento. Portanto, como o futebol não decide os seus problemas, precisou recorrer à Justiça, mesmo que de forma informal, para que a mesma decidisse.

Segundo aspecto não podemos esquecer que ainda no ano passado, o Conselho de Segurança do Estado de Alagoas, órgão com vários assentos e que comtempla diversos setores, indicou que em 2017, os clássicos deveriam ser jogados com torcida única. Isto, pós- clima de consternação pelo ocorrido na final do Alagoano. O futebol não reagiu. Penso que entendeu que ‘isso é conversa. Não vingará. Como é que vamos jogar no Alagoano um clássico com torcida única?”. Mais uma vez pagaram pra ver.

A reação dos clubes foi lamentar e da pior forma possível. Rafael Tenório e Marcos Barbosa ameaçaram sequer jogar o Alagoano após receberem a punição pela Justiça Desportiva, aqui e no STJD. Ainda encontraram um ‘mecanismo’ para burlar a decisão e se deram mal.

Nós já vimos em outros momentos, o próprio CRB, através do seu presidente, defender e/ou fazer acordo, para termos torcida única. Jogos por competições nacionais e regionais já tiveram torcida única aqui e em Natal, por exemplo. Decisão esta, patrocinadas por dirigentes das duas equipes. “Aqui teremos apenas torcedor do CRB. Lá nossa torcida não vai”.

O terceiro – e, no meu modo de ver- contundente aspecto foi a reunião do Tribunal de Justiça que formulou um acordo informal – é verdade – mas uma acordo com a presença de tantas autoridades não poderia ser questionado. Ele teria que ser cumprido e que os clubes e a FAF criassem mecanismos para reverter aquela decisão.

O CSA se acomodou e decidiu cumprir. Rafael Tenório disse que no jogo com mando do CRB, o torcedor do CSA não iria ao jogo. A FAF se omitiu. Até mesmo quando o CRB pediu por ofício uma informação, a FAF afirmou que não havia qualquer que fosse a decisão judicial determinando torcida única. Não teve a coragem de alertar ao CRB que havia um acordo no TJ. Isso não é nem mencionado no documento. Por fim, o CRB concordou com a decisão de torcida única, dito por vários atores participantes da reunião, e depois contestou a legalidade jurídica da ata, alegou o Estatuto do Torcedores para justificar seus pedidos na Justiça, acionou o CSA, depois em outra petição, acionou a FAF, seu advogado deu entrevistas sem nexo, sem argumento nenhum e tomou 3 a 0 na briga das liminares.

Por fim se ninguém do futebol tem a capacidade de resolver seus problemas, de promover uma diálogo civilizado entre os seus mandatários, sem ninguém trabalhando um plano que pudesse convencer a Justiça e os órgãos de segurança que o clássico poderá – e, precisará, ter duas torcidas, de preferência com estádio completamente dividido.

Neste cenário, que o jogo seja –e, precisa, ser realizado com torcida única para o bem do respeito as instituições do Estado de Alagoas. A partir desta pancada, o que os clubes de forma racional irão fazer? Trocarem farpas nas redes sociais? Concederem entrevistas que não acrescentam em nada? Ou trabalhar juntos, um plano firme, argumentos concretos por duas torcidas no Estádio? O tempo irá dizer.

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