Desejo realizado

 |  terça, 23 junho 2020 00:00

Foram quase 100 dias de ausência dos treinamentos. Mas a terça-feira, 23 de junho, marca o retorno dos clubes alagoanos as atividades. A suspensão das atividades durou exatamente 98 dias.

O retorno é cercado de expectativa para que os clubes apliquem o protocolo que possa trazer segurança para jogadores e funcionários. Mas por enquanto, o retorno as atividades ainda estão limitadas apenas aos treinamentos. Não existe possibilidade de retorno dos jogos.

A FAF se mostrou incomodada com a fala anterior do governador quando anunciou que iria liberar treinamentos apenas para equipes que disputariam competições nacionais e buscou diálogo com o Governador para incluir todas as equipes. Assim foi feito.

Mas mesmo com a liberação para o retorno dos treinamentos, apenas CSA e CRB retomaram as atividades. Os outros seis clubes só irão retomar as atividades a partir do instante que houver uma data concreta para o reinicio dos jogos. Isso é uma lógica financeira para quem não dispõe de recursos.

Agora caberá aos clubes a aplicação dos protocolos. Haverá um acompanhamento da FAF e relatórios deverão ser gerados pelos clubes e encaminhados a Secretaria Estadual de Saúde sobre a execução dos protocolos.

Há duas semanas, Fabio Lima, integrante do departamento médico do clube, falou sobre uma situação ideal e uma possível. A fala de Fábio Lima era ligada a questão de testagens. O ideal seria pelo menos uma testagem por semana, mas em virtude dos custos, é possível que os clubes não façam testes semanais.

Os treinos atendem um desejo dos clubes e alivia a pressão e o incomodo que cercavam dirigentes, comissões técnicas e jogadores demonstravam sem as atividades presenciais.

Entendo com plausível, o retorno aos treinamentos, seguindo todo o protocolo exigido, mesmo tendo a certeza que o futebol não é uma bolha isolado do restante da sociedade, mas a partir do momento que as autoridades sanitárias indicam um retorno é preciso torcer para que os clubes aproveitem este momento para tentar recondicionar e requalificar seus elencos e ofertando lastro físico para o retorno das competições.

Já o retorno das competições...

Isso é outra história.

Para que serve a base?

 |  quinta, 16 janeiro 2020 00:00

A resposta para a pergunta que dá origem a este post é simples: revelar.

Este é um princípio absolutamente prioritário. O primeiro objetivo é formar, ofertar bases, preparar, qualificar o jogador, colocá-lo em condições de subir para o time profissional.

Mas a base não é apenas isto. O segundo pilar da base é vender, negociar, fazer dinheiro com jogadores oriundos da base. Isto é um ciclo de realimentação. O clube investe, forma, prepara, pode usar ou não, vende. O ciclo só é fechado se o clube aproveitar parte deste recurso para realimentar a própria base. Reinvestir, fortalecer a cada dia o projeto da base.

Por último vem as conquistas. Se as duas outras serventias das divisões de base estiverem juntas será natural que conquistas possam surgir.

Ninguém quer um time derrotado ou se monta uma divisão de base para ser derrotada, não ganhar nada. Vencer, projetar seu clube é preciso, mas não é a prioridade.

Sou radical nos exemplos mas eles estabelecem um parâmetro importante. Se um clube for campeão por dez anos seguidos e não revelar, formar, colocar jogadores prontos para os time profissional, entendo que o trabalho não é bom. O contrário já entendo como positivo – em cima da visão e das respostas ao questionamento da pergunta inicial, se um clube passar dez anos sem vencer uma competição, mas a cada ano levar para o profissional um ou dois jogadores com potencial de aproveitamento na equipe principal ou com perspectiva de venda, estará realizando um grande trabalho na base.

Base é isso. Cobrar da base vitórias, conquistas, títulos, é uma visão limitada e resultadista. E estas duas qualidades em nada colabora com uma base forte.

Para os que estão chateados, ‘pocando pelas costas’, existe o mundo possível e o mundo ideal. O ideal é juntar tudo, formar, revelar, usar no profissional, valorizar, vender e conquistas. Este mundo ideal tem o Flamengo como uma expressão. Tem investido pesado na base, tem formado e revelado , aproveitado no time principal, negociado – e, muito bem por sinal – e conquistado quase tudo que tem disputado e para finalizar, reinveste o valor para formar mais, revelar mais, vender mais, conquistar mais....e assim o ciclo é realimentado.

Cuspindo no prato que comeu

 |  quarta, 20 novembro 2019 00:00

Até tentei falar, ouvir, ler, me informar com alguém da direção do CSA sobre algo concreto que explicasse a atitude em afastar três jogadores nesta reta final da Série A, mas não encontrei nada, nenhuma informação plausível sobre o assunto.

Um posicionamento vago, uma informação protocolar. Apenas isso.

Didira, Celsinho e Carlinhos tiveram suas férias antecipadas. Claro que é direito do clube, mesmo sem uma explicação, uma justificativa plausível.

Entendo que principalmente Didira merecia um outro tratamento e que o CSA, como clube, trata mal, afasta um ídolo, um símbolo da ascensão meteórica do clube no cenário nacional.

Estava no Mutange, no dia de anuncio do elenco do CSA para a temporada 2016. Mutange lotado e a torcida só esperava um nome: Didira.

Cícero foi contratado como o grande primeiro reforço de um projeto azulino vitorioso. Didira atravessou com altos e baixos, entendo, que mais altos que baixos, toda a vitoriosa trajetória nacional e a recuperação da hegemonia local, com um bicampeonato, sendo inclusive, protagonista no primeiro título conquistado pelo CSA; gol marcado, melhor jogador e um discurso contundente, de liderança, de ídolo em um vídeo produzido pelo próprio clube. Quem não lembra de Didira colocando para o grupo que ‘não era um derrotado’ que não ‘queria ser um derrotado’ no momento antes da decisão contra o CRB.

Didira teve dificuldades em algumas renovações, brigou por valorização, mas para muitos azulinos, Didira é o jogador mais vitorioso da história azulina. Ele conquistou o coração de alguns – e, não são poucos – torcedores que conheço.

Sem uma explicação mais aceitável, sem uma fala mais contundente, entendo que ás férias antecipadas são um desrespeito a um ídolo, até mesmo o mais importante desta fase de projeção nacional do clube. A direção azulina precisa vir a público de forma clara dizer porque ás férias antecipadas, porque a liberação, porque se trata de forma tão desrespeitosa um jogador como Didira.

A vergonha que Antônio Albuquerque faz Marta passar

 |  sábado, 14 setembro 2019 00:00

 

 

 

Marta é uma alagoana de fibra. Sertaneja, venceu todos os desafios que lhe foram postos na vida. Uma alagoana que orgulha o estado por sua postura, pelos seus feitos, por suas conquistas.

Mas desde a última quinta-feira, quando a Assembleia Legislativa de Alagoas aprovou um projeto estapafúrdio de autoria do deputado Antônio Albuquerque, que muda o nome do Estádio Rei Pelé para Estádio Rainha Marta, que essa alagoana de fibra – determinada e vencedora – está envergonhada.

Antes que gritem e esbravejem, não falei com Marta, não a ouvi sobre o assunto. O que imagino é a sensação de vergonha em função de uma descabida homenagem, que de tão ‘sem propósito’, coloca a rainha em uma saia justa.

A reação nas redes sociais, entre membros da imprensa local e nacional foi a pior possível e quase como um mantra, ouço e leio a repetição: Marta, enquanto jogadora, merece todos as homenagens, mas não uma em detrimento de Pelé.

Marta é praticamente uma unanimidade em Alagoas mas a maioria rechaça a homenagem em prejuízo do maior nome do futebol mundial. Tal como aquele velho bordão do narrador Januário de Oliveira, “Está aí o que você queria”, deputado.

Argumentos, os mais baixos e mentirosos possíveis foram usados. “Pelé nunca esteve aqui” – mentira. “Pelé nunca ligou para Alagoas, nem para o estádio que leva seu nome” – mentira também.

Pelé esteve aqui sempre que chamado. Sempre que possível marcou presença no único estádio do planeta que leva seu nome. Na última vez em que ele esteve aqui foi cortês, paciente, simpático com todos, fossem adultos ou crianças, súditos ou não.

Confesso ter muita curiosidade em saber como Marta se sente ao ouvir que mudar o nome do estádio, de Rei Pelé para Rainha Marta é uma descortesia, um desrespeito.

Alguns deputados alertaram diversos motivos para a infame homenagem não ser prestada. Marcos Barbosa, presidente do CRB, foi um deles. Foi cirúrgico, técnico na sua opinião defendendo o voto contrário a homenagem:  a ideia é inconstitucional. E Marcos Barbosa não é contra Marta.

Mas a maioria dos nobres deputados da Casa de Tavares Bastos entenderam de maneira diferente e mais uma vez, conseguem expor o Estado de Alagoas a uma vergonha nacional. E olha que existe tantas coisas, tantas ações para os deputados alagoanos se preocuparem e legislarem em nome do povo...

Tudo está perdido, então?

Claro que não.

Há ainda, o veto que cabe ao governador Renan Filho. Caso Renan embarque nessa bobagem descomunal, ainda assim, haverá o crivo popular que permanecerá, por longos anos, chamando o Estádio pelo seu nome: Rei Pelé.

Em alguns anos, o nome do proponente será esquecido. Mas se o Estádio tiver mudado de nome, Marta carregará para sempre uma homenagem polêmica, questionada e que tem como pano de fundo o desrespeito, a descortesia com o cidadão que mais elevou o esporte que Marta ama.

Marcelo Chamusca e a sua maneira de fazer Neston

 |  sábado, 27 julho 2019 00:00

Existem mil e uma maneiras de fazer Neston. O slogan do produto tinha como intenção mostrar a versatilidade de maneiras para consumir o referido produto. O futebol também tem esta versatilidade.

Existem mil e uma maneiras de ver futebol. Isso foi comprovado pelo ótimo plano de jogo traçado pelo técnico Marcelo Chamusca que proporcionou a vitória do CRB sobre o Botafogo (SP).

Falando claramente sempre é cobrado a utilização de um meia para articular a equipe. Chamusca traçou um plano sem um meia de origem no time. A solução encontrada pelo treinador está rigorosamente dentro do que preconiza o futebol moderno: meio campistas que marcam sem a bola e que jogam com a posse de bola.

Foi justamente isso que fizeram os dois volantes Ferrugem e Lucas Abreu. Em especial, Ferrugem que fez uma partida de excelência. Roubou bola, desarmou, armou, deu assistência, fez gol.. Ele entendeu o plano de jogo, executou com perfeição e desequilibrou a partida em favor do CRB.

Marcelo Chamusca encontrou o modelo perfeito?

Não, entendo que não.

Ele usou uma das ‘mil e umas alternativas’ para se fazer futebol. Isso pelo plano de jogo, características do adversário e pela necessidade de descansar alguns jogadores. É muito provável que Felipe Ferreira seja titular na próxima partida.

Mérito de Chamusca que mostrou repertório. Mérito dos jogadores que executaram o plano com perfeição. Mérito para o CRB que conseguiu uma vitória maiúscula.

Muita coisa para poucos dias

 |  segunda, 01 abril 2019 00:00

 

 

 

O Governador Renan Filho realizou na manhã desta segunda-feira uma vistoria no que está sendo feito no Estádio Rei Pelé para adaptar o maior palco esportivo de Alagoas para o caderno de exigências para a disputa da Série A.

Existem dois lados, duas visões de ver as coisas. O Governo do Estado , políticos e secretários mostraram otimismo com as obras e existe a afirmação que ‘tudo estará pronto antes da estreia do CSA na Série A.

A outra visão mostra uma demora na execução das melhorias e uma promessa que tudo que foi prometido como melhora será diluído até o final do ano.

Entendo que o poder público tem na burocracia um adversário contundente, de qualidade e de uma marcação implacável.

Algumas informações, mesmo para este momento de otimismo, soam como preocupantes. Vejamos.

Os novos bancos serão enterrados no lado onde ficam as cabines de imprensa. O ritmo da obra é acelerado mas a empresa já informou que precisará de vinte dias para finalizar tudo. Qualquer imprevisto, qualquer atraso, tudo ficará pronto no limite máximo. No sábado existia um isolamento no local do primeiro buraco aberto e os delegados da Federação Alagoana de Futebol (FAF) mostravam preocupação com algumas estacas colocadas próximas do campo de jogo, fato que podia machucar jogadores. Além disto deixo uma pergunta: É possível utilizar um campo com reformas dentro dele?

Já em relação ao placar eletrônico, o Governo seguiu todo o trâmite burocrático, exigido pelo processo de licitação. Resultado divulgado, firma vencedora, que venha o novo placar. Certo?

Não. A informação é que uma das empresas derrotadas solicitou uma revisão no processo e tudo foi parado. Isso atrasará a instalação do novo placar. Ainda haverá a necessidade de testes, cursos para qualificar servidores para finalmente colocar o placar para funcionar. Será que tudo isso será possível antes do jogo contra de estreia do CSA em Maceió contra o Palmeiras?

As arquibancadas altas e baixas terão suas cadeiras completamente retiradas. Torcedores reclamaram no sábado que o local onde foram retiradas as peças mostram um acumulo de ferrugem. Mas dá tempo de limpar e pintar todo o Estádio.

O gramado é outra preocupação. É possível melhorar a qualidade do gramado até o começo da Série A. No entanto são muitos jogos até lá e o prazo entre a partida final do Alagoano e a estreia do CRB – uma semana antes – e do CSA – duas semanas depois da final do Alagoano, é um fator dificultador para que o gramado esteja 100%.  Não vou nem citar chuva que poderá ser um fator de crescimento do gramado com o tratamento adequado, mas também deixará o gramado mais suscetível da danos durante os jogos. Mesmo assim, acredito que o gramado estará bom, não 100%, não com a qualidade que já tivemos com gramado nota cinco dado pela FIFA mas bom para CRB e CSA no Campeonato Brasileiro.

As reformas do vestiário da arbitragem, da sala de exame anti-doping, da sala do comando da Polícia, da sala que deverá ser usada pelo VAR também estão a todo o vapor e com obras assim, em cima da hora, problemas podem ocorrer.

O restante das melhorias, extremamente importantes, por sinal, pois terão impacto direto junto ao consumidor/torcedor estão sendo tocadas, com destaques para a melhoria dos banheiros femininos. Mas estas obras – e outras, como melhoria das cabines de imprensa, ficaram diluídas ao longo do ano. Uma reivindicação da imprensa esportiva também ainda não tem uma resposta concreta: receberemos todos a mídia nacional sem o estádio ser dotado de wi-fi ofertando qualidade de trabalho para todos.

Sei que são muitas perguntas e muitas questões, muitas vezes que imperam na burocracia e no pouco tempo para resolução dos problemas, mas vamos torcer para que pelo menos, a maquiagem inicial possa mostrar-se ‘bonitinha’ para nossa mais ‘bonita’ joía.

Por fim não ache que o texto é algo relacionado ao dia 1 de abril.

É verdade isso que está escrito

Assinado: Alberto Oliveira

CRB tem começo forte e traz esperança de ano melhor para o torcedor

 |  quinta, 17 janeiro 2019 00:00

Não dá para ser incoerente: é apenas um jogo, no início de temporada e com 13 dias de treinamento. Mas o empate do novo time do CRB contra o antigo time do Bahia foi um resultado muito positivo.

Roberto Fernandes já havia alertado na sua entrevista coletiva na apresentação da equipe que o desafio era montar uma nova equipe em pouco tempo e que como titular absoluto, a equipe teria apenas um jogador.

Comparando ao adversário, o Bahia tinha oito jogadores da base do ano passado, com o mesmo treinador e com contratações que qualificaram ainda mais o elenco. Em cima de todo este cenário, a valorização do resultado obtido na Arena Fonte Nova fica ainda importante.

Gostei de alguns conceitos do técnico Roberto Fernandes. Hugo Sanches é um jogador taticamente muito importante, sendo o primeiro a marcar a saída de bola do adversário. Fernandes mapeou de forma muito eficiente as características do Bahia e modelou o CRB para travar as laterais com Nino Paraíba e o excelente Paulinho. Para isso usou uma dobra no lado esquerdo e o volante Ferrugem, jogando como extremo pelo lado direito.

Matheus Silva mostrou muita eficiência como segundo volante, os laterais foram tímidos, mas sem comprometer e ainda ajudam na transição, no momento ofensivo do CRB e a dupla de zaga começou com muita dificuldade na bola aérea, mas depois conseguiram ajustam o posicionamento.

Se o CRB terminou o ano com tantos questionamentos, teve tanta dúvida na questão política do clube, demorou a começar a montar a equipe, o resultado do primeiro jogo mostrou que o time pode apresentar um crescimento, desenvolver competitividade e ter uma temporada bem melhor do que foi feito em 2018.

CSA tem estreia superior a expectativa criada

 |  quarta, 16 janeiro 2019 00:00

 

 

 

Para a grande maioria do torcedor, o jogo de estreia na temporada colocava de um lado um time de Série A contra um time de Série B com uma equipe Sub23, ou seja, CSA precisava passar por cima.

A avaliação mais apaixonada do torcedor é cercada de erros de avaliação. A primeira delas está no pouco tempo de trabalho que o CSA possui. São apenas 14 dias para montar um novo time. Ontem a equipe que estava em campo tinha apenas três jogadores da formação do ano passado.  Jogadores ainda com pouco desenvolvimento físico, sem entrosamento e com dificuldade nos conceitos de jogo que o técnico Marcelo Cabo pretende implementar.

A outra avaliação necessária é não menosprezar a qualidade do time Sub23 do Vitória. A equipe é vice-campeã brasileira, com um planejamento do clube, treina a quase um mês, sabendo que fará dois ou três jogos no início da temporada e a base jogada junta a três anos. Foi sem dúvida um senhor adversário para o CSA.

O empate , nas condições acontecidas, foi um resultado bom, com uma apresentação acima do esperado para o primeiro jogo de uma nova equipe.

Entre os destaques, João Carlos, Luciano Castán e Matheus Sávio mostram que as indicações da comissão técnica, viabilizadas pela direção são muito positivas. Existem jogadores com possibilidade de crescimento. Régis, jogando na segunda linha pelo lado direito, tende a crescer, Patrick Fabiano precisa de ritmo e de adaptação ao futebol brasileiro e jogadores como Ramon, que faz a fumaça necessária para o estilo de jogo do CSA, Jhonatam, versátil e que ocupa espaços com inteligência, Mauro Silva que se apresenta muito para o jogo, sendo uma opção de aproximação e Lohan que tem potencial e mostra ser bom finalizador, podem conseguir encaixes no modelo de jogo e tornar a base azulina bastante competitiva.

Claro que o torcedor pode cornetar, cobrar um time com cara de Série A, mas a paciência e espera pela construção de uma nova equipe mostrar ser o caminho para chegar a uma equipe competitiva.

Um câncer que ninguém tenta combater

 |  sábado, 05 janeiro 2019 00:00

Um dos maiores problemas enfrentados pelo futebol brasileiro é o calendário. Clubes e profissionais relacionados ao futebol sofrem, não conseguem o rendimento esperado e são expostos a situações absurdas, sem que haja uma reação. O câncer é destrutivo mas é alimentado por todos.

Esta semana com a apresentação de CSA e CRB ouvimos os técnicos Marcelo Cabo e Roberto Fernandes fazerem referências as dificuldades de início de temporada. Cabo alertou que usará o mês de janeiro, é bom explicar que com jogos oficiais pela Copa do Nordeste e pelo Campeonato Alagoano, como pré-temporada. Em sua fala – e com razão – o técnico do CSA deixou claro ser impraticável a formação de uma equipe com apenas 14 dias de trabalho antes da estreia na temporada. Também se referiu a necessidade de ‘rodar’ o elenco, usando dois times para não desgastar os jogadores e não correr risco de perder jogadores por contusão.

Roberto Fernandes também usou sua primeira entrevista para expor problemas decorrentes do calendário. Primeiro falou sobre o tempo de pré-temporada. O técnico regatiano tem como ideal a apresentação e o início do trabalho em 17 de dezembro, período que lhe ofertaria aproximadamente um mês, antes da estreia na Copa do Nordeste. Além disto terá que formar um novo time em praticamente 14 dias de trabalho.

Estas situações postas pelos dois treinadores são claras mas ninguém no mundo do futebol levanta a bandeira contra isso que está posto. Jogadores, preparadores físicos, fisiologistas, fisioterapeutas, técnicos, dirigentes, clubes ‘aceitam’ o que está posto e buscam ‘soluções’ para o ‘monstrengo’.

Era necessário um sério debate, uma avaliação técnica, criteriosa sobre tudo isso. Não posso dizer que não houve melhoras, já aconteceu sim. O Movimento ‘Bom Senso’ trouxe algo positivo para discussão, inclusive, exigindo férias por um período maior e com uma pré-temporada. Mas o formato encontrado – e posto em prática – ainda é desumano.

E não venham com a ideia que ‘antigamente’ se jogava mais e não tinham estes questionamentos. O futebol mudou muito. A intensidade que se joga hoje é absurda e com um calendário sufocante e sem uma preparação ideal temos jogos com baixa intensidade, jogadores que não conseguem atuar no seu melhor, clubes que poupam atletas em competições importantes, futebol que perde qualidade.

Enquanto a reação não partir do próprio futebol o assunto seguirá sem ser tratado da maneira que atenda o próprio futebol da melhor maneira. Todos buscam adaptação, queimam etapas mas não resolvem o problema.

...e o câncer segue cada dia mais destrutivo.

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